Aconselho a ler o artigo anterior para uma melhor compreensão da história que segue.
Eram os primeiros tempos da manhã de sexta-feira. A turma entrou na sala eufórica com a ideia do desafio do abraço grátis no intervalo das aulas. Confeccionaram os cartazes que levariam pendurados no pescoço: ABRAÇO GRÁTIS! E eu já havia separado as vendas negras que todos usariam na experiência.
Os questionamentos começaram!
E se começarem a rir de nós? E se a pessoa não cheirar bem, estiver com suor? E se a pessoa não parar de me abraçar? E se duas pessoas vierem ao mesmo tempo? E se for alguém que não gosto, e descobrir depois que abracei? E se for alguém que gosto muito e o abraço se prolongar? As perguntas eram intermináveis! Todas as possibilidades foram questionadas. Estava aí um dos maiores males da atualidade: a ansiedade!
Ansiedade nada mais é do que uma preocupação excessiva ou expectativa apreensiva sobre o futuro. É uma resposta do corpo que vem do sistema nervoso e não conseguimos racionalizar normalmente. É algo natural e está tudo bem! A diferença entre ansiedade e Transtorno de Ansiedade Generalizada está no MOTIVO.
Reforço que sentir-se ansioso por algo novo, situação nova é esperado e natural, mas quem tem transtorno de ansiedade, na maioria das vezes, não tem razão aparente é sem motivo aparente e convive com isso quase que diariamente. Ou seja, manifesta-se a qualquer momento com ou sem explicação. É preciso um diagnóstico correto com um psicólogo ou médico psiquiatra, pois afeta demais a qualidade de vida de quem sofre com isso.
Então, a turma estava ansiosa e isso era esperado. O friozinho na barriga é a cereja do bolo sempre. Sinal que estamos vivos e cheios de emoções. Para amenizar a situação, realizei exercícios respiratórios com todos. Depois uma dinâmica divertida, libertando risos e descontraindo aquela atmosfera de tensão. Com as placas prontas, posicionaram-se no pátio da escola.
Olhos vendados e respiração ofegante…
O combinado com a turma foi “ausência de comunicação oral”. Silêncio e entrega, sem pressa. No sistema de som da escola, coloquei uma música ambiente e permaneci próxima a todos, a fim de interferir a qualquer momento, se necessário. E o sinal do intervalo tocou estridentemente!
Alunos a descer rápido pelos corredores e desacelerando ao se defrontar com pessoas vendadas a distribuir abraços gratuitamente. Os primeiros momentos foram de observação. Até que algumas pessoas corajosas decidiram aceitar o tal abraço. E quando isso aconteceu, as cenas eram dignas de filme. Abraços demorados. Gente emocionada, gente sorrindo à toa…
Claro que algumas vezes tive que interferir quando alguém ultrapassava os limites: faziam cosquinhas, empurrãozinhos, puxões de cabelo…atitudes típicas de adolescentes. Mas, muitas vezes, os próprios amigos de outras turmas permaneciam lá…ao lado…em defesa daquele que estava vendado. No geral, a experiência foi emocionante. Assistir abraços demorados e agradecimentos emocionados não tem explicação.
Inclusive professores e funcionários entraram no desafio. Alguns até pediam-me uma venda para receber abraço também e posicionavam-se próximos aos alunos. Fileiras de pessoas foram formadas querendo ser abraçadas. Alguns saltavam de alegria e outros saiam em silencio. Essa dualidade impactante era constante.
Claro que o intervalo se prolongou…
…mas a escola já estava habituada com as intervenções positivas das aulas de teatro. E mais uma vez, isso era perdoado. Quanto ao relato dos alunos que aceitaram o desafio: digno de escrever um texto para a posteridade. As mudanças foram visíveis depois e em muitos aspectos e gostava de deixar-vos a pensar e refletir sobre isso!
Por que é difícil descrever? Foi puro sentimento! Recebi muitos abraços de gratidão, algo que não tem preço nessa vida. Então a fase três foi dada: encorajei-os a escolher pessoas da família, de preferência com quem convivessem diariamente, a dra um abraço grátis, demorado, voluntário e sem motivo… permitir-se a esse momento supremo, simples e profundo. A grande maioria o fez e disseram que mudanças também aconteceram em casa.
Apenas um abraço. É simples, não é?! Então, aqui está a minha sugestão: abrace, abrace MUITO! Tenha coragem para esse passo que pode trazer mais leveza à sua vida e curar sentimentos que não conseguimos explicar. Abrace enquanto você está a respirar nessa vida!
ABRAÇO: NÃO TEM CONTRA INDICAÇÃO, USE SEM MODERAÇÃO!
Abraços demorados
Tanise, a Diva.
😃🌻